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Written by Alfreda Cruz   

Sinopse da Sessão Presencial de Lançamento do Observatório do Cidadão

Começando por salientar o carácter restrito do Encontro e a formatação deste em Painel de intervenções produzidas pela Equipa responsável pela produção científica do Observatório do Cidadão, Maria Alfreda Cruz, geógrafa, especialista em Praxis de Educação e em Ciências do Ambiente, no ramo de Ordenamento do Território, apresentou ao Auditório, como membro integrado no Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa (CFCUL), no âmbito da Linha de Investigação Ciência, Ética e Política, os outros membros presentes no Painel, o Historial genético do Projecto e a Função que nele assume o Protótipo do Observatório do Sítio apresentado ao Auditório.


Apresentação dos Membros da Equipa Presentes no Painel

-Maria Alfreda Cruz, geógrafa, especialista em Praxis de Educação e em Ciências do Ambiente, no ramo de Ordenamento do Território, apresentou ao Auditório, como membro integrado no Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa (CFCUL), no âmbito da Linha de Investigação Ciência, Ética e Política, os outros membros presentes no Painel, o Historial genético do Projecto e a Função que nele assume o Protótipo do Observatório do Sítio apresentado ao Auditório.

-André Leandro, engenheiro informático, na dupla condição de detentor da empresa Tutibiz que produziu a Plataforma Informática do Observatório e de Consultor da Equipa na perspectiva de I&DT compaginável com o Projecto de I&D integrado no CFCUL em que o Observatório se filia;

-Tereza Ventura, membro integrado no CFCUL no âmbito do referido Projecto, matemática, especialista em educação nas vertentes virtual e presencial da formação ao longo da vida em registo blending e responsável pelos domínios do Observatório que permitirão aos seus grupos-alvo relacionar-se e usufruir dos recursos que o Observatório virá a disponibilizar nessa matéria, à medida que forem sendo reunidas condições que permitam que ele seja assumido pelo cidadão como seu próprio Observatório;

-Ângela Dionísio, economista, consultora do CFCUL e membro do Projecto nas dimensões correspondentes à sua especialização em economia das actividades imobiliárias e dos correspondentes contextos de ambiente e de ordenamento do território que interferem na configuração deste e na qualidade de vida dos seres que o habitam;

-Gonçalo Becerra da Costa, consultor do CFCUL e quadro do Ministério da Educação versado em análise comparada dos indicadores que exprimem a situação da educação formal e não formal na malha territorial do país e nos outputs deste em confronto com os que traduzem a composição, as metas e os desígnios da Europa em matéria de educação, formação e qualificação de recursos humanos.

O registo do evento traduz o discurso directo em indirecto, chamando ao texto os powerpoints apresentados durante a sessão e as notas que permitam aprofundar os argumentários de síntese produzidos por Alfreda Cruz_ Parte I _ e Tereza Ventura_Parte II. Na Parte III salientam-se as teses específicas assinadas pelos respectivos intervenientes no Painel. Finalmente, na Parte IV dá-se voz ao Debate, através da anotação sinóptica das questões formuladas a partir das intervenções provenientes do Auditório que tiveram impacto nas correspondentes “caixas” de memorização a que a Equipa dará sequência, no âmbito do desenvolvimento da implementação do Observatório.


PARTE I
1. Historial genético do Projecto e Função que nele assume o Protótipo do Observatório do Cidadão.

A referida Equipa, em que se integra(ra)m também Elisabete Oliveira e João Lopes Alves , afectos a dimensões abrangentes a retomar em futura fase de cruzeiro do Observatório, por ora ainda em lançamento, assumiu autonomamente a concepção e montagem deste no contexto do Projecto apresentado pelo CFCUL, em Setembro de 2006, à FCT no domínio das Ciências Políticas, com a designação de Promoção do Capital Social na Sociedade do Conhecimento. A proposta plasmada no Formulário contava então com 3 consultorias externas, especializadas no âmbito das Políticas do Ensino Superior, Políticas Sociais e Desenvolvimento Sustentável , e duas parcerias com o CFCUL constituídas pela Universidade Autónoma de Lisboa – dado o seu envolvimento em Pós-graduações EQUAL entre 2004 e 2006 invocadas no Estado da Arte da problemática - e pela Câmara Municipal de Montijo – dado o seu envolvimento em actividades de cosmopolitismo sociocultural e cívico que a vocacionou para, desde logo, assumir o desiderato de vir a constituir-se como entidade de incubação da experiência piloto identificada no desenvolvimento do conjunto de etapas e tarefas descritoras da metodologia de investigação-acção inerente ao Projecto .

Um ano volvido sobre a apresentação deste à FCT, o respectivo júri considerou que o caminho original que expressamente lhe reconheceu não se encontrava metodologicamente explicitado de modo a justificar a atribuição do financiamento pretendido. Entre a hipótese a) - de apresentarmos recurso susceptível de fazer vencimento pela demonstração de como a metodologia de um proposta desta natureza não se compagina com a formatação de um formulário ajustado a outros perfis proposicionais - e a hipótese b) - de avançarmos com uma das dimensões do Projecto susceptível de demonstrar a pertinência deste no âmbito das Ciências Políticas -, foi esta a adoptada pela Equipa, que consequentemente assumiu a produção e a experienciação do Observatório do Cidadão como core do Projecto de Promoção do Capital Social, no qual se filia.

Nesta perspectiva, o Centro de Filosofia das Ciências e a Câmara Municipal de Montijo equacionaram no 3º trimestre de 2007 a Parceria que produziu o Observatório, com base numa ergonomia de meios financeiros e institucionais a que aderiu a Fundação da Faculdade de Ciências, de molde a permitir o desenvolvimento do trajecto cujos resultados e perspectivas nos propusemos enunciar sumariamente no presente evento, deixando em aberto o diálogo que intentamos lançar presencialmente e desenvolver virtualmente com o Auditório a partir da difusão desta sinopse, sendo também nossa intenção alargar a discussão aos restantes Convidados que, por limitações insuperáveis de Agenda, não puderam estar presentes nesta Sessão de Lançamento.


2. Pressupostos, Estratégia e Linhas Gerais do Observatório

2.1. Pressupostos e hipótese de partida - Com suporte na processologia a que se reporta o powerpoint 1 do Painel, relevam-se os pressupostos de que:

- uma cultura de cidadania extensiva, activa e inclusiva que oponha a democracia à violência, apela à iniciativa e à criatividade do Estado e à constituição de partenariados adequados à implementação de serviço público dinamizador da conscientização do bem comum;

- uma tal cultura decorre da adesão social à subestimação da violência em face do alargamento das potenciais vantagens da participação cidadã na res publica, através do envolvimento dos cidadãos em todas as escalas da democracia poliárquica do país, a começar pela do bairro até à da globalização, passando pela metapolis em que o primeiro se enquadra;

- este propósito cumpre objectivos relacionais e de autodesenvolvimento individual nos vários contextos comunitários em que a sociabilidade possa ser assumida e a estratégia de promoção de tais objectivos passa pela equação de um protótipo de sítio assumido como laboratório de uma metodologia de investigação-acção erigida em estudo de caso aberto nesse sentido à observação interventiva dos cidadãos.

A experienciação do modo como a referida observação potencia a implicação da Cidadania na Sociedade do Conhecimento recorre ao mapeamento dos conceitos- chave da Cidadania Social _ Capital Social _ Coesão Social com suporte nas praxis que resultem da dialógica C&SC, cuja produtividade social, política, científica e filosófica constitui a hipótese de partida de todo o Projecto-âncora do Observatório.

A estratégia suporta-se na localização dos Observatórios do Cidadão nos Sítios de Cidadania Locais do país de cuja rede virá a emergir o Observatório da Cidadania, enquanto produto da integração dos ouputs da rede dos referidos Sítios de Cidadania locais (powerpoints do Painel)

A referida localização dos Observatórios do Cidadão nos Sítios de Cidadania Locais é porém o que de momento está em questão. Esta exprime-se na própria estrutura da Plataforma Informática que serve de base ao enlace dos dois conceitos, sumariamente enunciados no Glossário que constitui um dos recursos básicos do sítio.

2. Linhas gerais do Sítio de Cidadania Local

No âmbito da perspectiva inerente à processologia expressa nos supracitados powerpoints, o Observatório do Cidadão ocupa uma posição chave, mas nem tudo se passa no território Web, onde o estamos a lançar. O Sítio Local de Cidadania a que se encontra vinculado o Observatório correspondente terá de estruturar-se para o abranger através da promoção das valências identificadas através do bloco semântico RECCRIA_PROMOVE_ RESISTE referentes a “ Rede de Cidadania Criadora de Inclusão Activa”_ “Promoção de Vida Educativa”_ Rede do Sistema de Trabalho e Emprego” integradas no mod(el)o da ergonomia do Sítio, apoiado no argumentário fundador do projecto vii.

Uma tal finalidade implica a necessidade de políticas de mediação interventivas nas redes sociais e institucionais vigentes no Concelho, de modo a que as suas praxis sejam potenciadas, tomando por norte os desideratos de cada uma dessas valências. O modelo das interacções possíveis da experiência piloto coloca o acento tónico no capital humano da mediação que chamará ao terreno especialistas dos vários domínios técnicos e científicos implicados na estratégia de investigação-acção que terão a cargo, bem como outros recursos humanos orientados para o apoio à procura de informação e ao tratamento da que resultar da iniciativa dos cidadãos, visando a transformação de ambas em conhecimento acessível a todos os utilizadores do Sítio.

A emergência das praxis de empowerment da rede RECCRIA reporta-se assim à ponderação das problemáticas transversais aos vários domínios em que se joga o quotidiano de todos e de cada um dos cidadãos e a metodologia de suporte decorre da criação e contextualização de bases de dados explicitadoras dos outputs das redes sociais e institucionais que, integrando o capital social do território, possam estimular a consolidação social da Cidadania Activa e Inclusiva.

Enquanto ponderação, as praxis passam pela valência PROMOVE, inerente aos modos de colocar a informação na perspectiva dos observadores que, para isso, poderão recorrer aos recursos formativos e cognitivos reunidos nas dimensões presencial e virtual do sítio. O Observatório é o seu instrumento chave. Ele assume a importância da observação no desenvolvimento das funções cognitivas da consciência individual do sujeito, posto em relação com os outros componentes dos grupos de pertença e de eleição, tendo por base o fortalecimento da respectiva Coesão Social e por norte o estímulo exigível às políticas públicas de uma estratégia consequente de promoção do Capital Social

Por aqui passa também a valência RESISTE. O sistema de trabalho e emprego passa cada vez mais por imperativos que se exceptuam da escala territorial de intervenção nas dinâmicas económicas que lhes estão na base, mas o conhecimento das condições locais na extrapolação das escalas abrangentes das economias nacional e transnacionais, sempre em articulação com a perspectiva educacional da formação ao longo da vida, comporta a equação de janelas de oportunidade num quadro de exigência crítica aberta à capacidade de ponderação de riscos, seja nas actividades implementadas no terreno, seja nas possibilidades de emergência de novas actividades. Opções calculadas no âmbito de uma criatividade intuicionista capaz de valorizar o mercado social de emprego e a constituição de iniciativas microempresariais ou de associativismo cooperativo, com acesso ao sistema de microcrédito sempre que se imponha a salvaguarda de riscos inerentes a financiamentos de outra escala, deverão recorrer a instrumentos testados na elaboração de planos de negócios, quando esta for a tipologia da iniciativa. Opções de trabalho e de emprego de outro recorte e jaez apelam naturalmente a perspectivas de política laboral transcendentes à escala local, mas sempre ponderadas em termos de tendências sedimentadas ou emergentes e dos correspondentes mod(el)os de desenvolvimento local. Da coexistência destes naipes de opções decorre o ambiente económico-social que constitui o lastro do quotidiano em que se geram as vivências locais e os contornos da sua evolução no âmbito da Sociedade do Conhecimento.

Em síntese:

Promover o mod(el)o RECCRIA_PROMOVE_ RESISTE, enquanto conceito e modo de consecução passa designadamente por :

- difundir os supracitados pressupostos e a estratégia do seu incentivo a partir dum protótipo de sítio na dupla valência presencial e virtual, o que comporta que a experiência piloto assumida pela Câmara Municipal de Montijo possa vir a ser replicável em todos os sítios que optem por assumir as mesmas valências e praxis, com a geometria variável resultante da variabilidade das circunstâncias em que estas últimas, caso a caso, se concretizem

- identificar um nível de base comum à incorporação dos outputs derivados dos vários Observatórios do Cidadão de modo a que, enquanto produtos da democracia participativa, possam ser cotejados e postos em perspectiva pelos actores políticos da democracia representativa.

A garantia de acesso por todas as forças políticas do espectro formal da democracia representativa às propostas e reivindicações fundamentadas pelos cidadãos na base do desiderato de responsabilidade social inerente ao modelo aconselha portanto a que se constitua, em sede neutral do poder político do país, uma instância neutral apropriada à constituição de um directório integrador da produção dos Observatórios do Cidadão. Chamar-lhe-emos Observatório da Cidadania, quando colocado sob responsabilidade do Parlamento, por ser nele que se dirimem as questões ideológicas e se produz o ambiente sistémico das políticas integradas do país às escalas multidimensionais do espaço e do tempo em que se inscrevem as vivências quotidianas, onde quer que elas decorram.

A dialógica construtiva entre a democracia participativa e a democracia representativa inerentes à democracia poliárquica passa pela processologia cujo detalhe, expresso no powerpoint 1, visa um enunciado de partida aberto ao desenvolvimento prático que a experiência vier a consignar e terá por norte a identificação do Contrato Social que resultar da necessidade de ajustamentos da situação presente à complexidade da transição da Sociedade da Informação para a do Conhecimento, que é simultaneamente a do Risco que se deseja susceptível de ser calculado em ordem à sobrevivência do património civilizacional, cultural e ambiental, em que se inserem todos os habitats sociais. Esse é o horizonte de longo prazo do Projecto-Âncora que não perderemos de vista.

3.Linhas Gerais do Observatório do Cidadão

O Observatório define-se neste contexto através de uma Plataforma provida duma estrutura de organização distributiva dos conteúdos que incorporam as páginas de entrada dos sucessivos ícones de topo (Início_ Cidadania Social_ Sítio Local de Cidadania_ Observatório do Cidadão_ Grupos-Alvo e Recursos), de modo a que elas possam integrar-se em portefólio correlacionado com todos os referentes dos 5 domínios e subdomínios suportados pela Plataforma.

O domínio central designado por Cidadania Social comporta 2 subdomínios chave - o do Projecto- Âncora designado por Cidadania & Sociedade do Conhecimento (C&SC) e o do Glossário dos termos chave que, vindo embora a integrar o Dicionário de Conceitos do domínio C&SC em registo de conhecimento explícito, cumprirá paralelamente, em registo de conhecimento tácito, o diálogo interactivo centrado na utilização dos enunciados propostos pela equipa de investigação aos utilizadores, no âmbito dos pressupostos explicitados na página de introdução do Glossário
.
Em paralelo com o domínio central, os domínios Learn c3s e Fórum c3s, são assim designados como modo de consignarem a tríade Cidadania_ Capital _ Coesão - sempre no âmbito Social –, no arco dos percursos de formação ao longo da vida suportados no enlace iterativo emergente dos módulos de aprendizagens disponibilizados pelo Observatório (no domínio Learn) e dos debates decorrentes da utilização e da fruição do conhecimento emergente da sua produção e divulgação (no domínio Fórum).

Tais domínios destinam-se pois não só a facultarem módulos de estimulação de comunidades aprendentes de perfil inovador em equação e teste mas também a captarem as correspondentes interacções inerentes à criação das comunidades aprendentes centradas nos Grupos-alvo finais e no Grupo de mediadores do Observatório.

Aos conceitos chave de Cidadania Social, Sítio Local de Cidadania e Observatório, aduzem-se pois os de Grupo-Alvo e de Recursos que, no mapeamento do sistema de conceitos, assumem a função nevrálgica da potencial transformação da Sociedade da Informação (decorrente do livre acesso dos indivíduos à descrição das situações experienciadas e dos potenciais riscos que estas comportam) na Sociedade do Conhecimento envolvida na capacidade dos indivíduos colocarem a informação sobre tais situações na perspectiva da participação social no controle dos riscos que elas apresentam e no âmbito do próprio projecto de vida que os torna sujeitos.

É portanto fulcral a categorização dos Gupo-alvo do Observatório, de acordo com os perfis com que os usuários do sítio se apresentam no campo das praxis, a partir das próprias experiências e posturas que os definem.

Partindo da constatação da brecha digital que dissocia em dois conjuntos os potenciais usuários do Observatório, designaremos por Grupos 1 e 2 os que se situam de um e outro lado da referida brecha, no momento de partida para o desenvolvimento das praxis. Assumindo o princípio de que a iliteracia informática indicia outras, designamos como Grupo 1 o detentor deste handicap por o tomarmos como prioritário na perspectiva de inclusão activa maximizada na finalidade referencial do Projecto.

Mas em qualquer dos casos, o Observatório propõe-se assumir a configuração de módulos de formação e de requalificação contínua que tenha por base a identificação dos stocks de conhecimento de que os usuários são detentores, quaisquer que sejam os níveis de que partem, para sobre estes se proporem e contratualizarem modos e vias de aquisição de novos conhecimentos, quer sejam relacionados com as necessidades locais, em termos de participação na equação e resolução de problemas susceptíveis de serem assumidos pelas redes empresarial e institucional do território, quer sejam pertinentes na emergência da Sociedade do Conhecimento e experienciados na relação com os institutos legais e regimentais que lhes sejam adequados.

A identificação de mediadores para garantia do acesso social dos Grupos-Alvo 1 e 2 às potencialidades do Observatório constitui um caso particular desta filosofia, desenvolvida e referenciada na Parte II. Designamos a sua constituição, como Grupo-Alvo 0 por anteceder os que designam os destinatários finais do Observatório. A requalificação de tarefas do sistema institucional para densificar as suas interacções com os cidadãos e com as restantes redes, bem como as interacções que possam potenciar a coesão social a partir de cada uma delas, é um desígnio a que a Câmara Municipal do Montijo procura corresponder a partir de agora através da criação de uma bolsa inicial de recursos humanos, com a qual a equipa de investigação procurará partir para a investigação-acção que tem por norte a construção de ópticas de mediação adequadas à identificação dos perfis que virão a ser implementados em adequação aos da Sociedade do Conhecimento.

A regra do jogo é portanto a da formação e a requalificação contínuas do capital humano na base do desenvolvimento individual e comunitário, a partir do investimento pessoal na dimensão cognitiva e da aposta institucional na configuração de novos perfis profissionais a prover de certificação adequada, com acolhimento na gestão de projectos em parceria, mobilizadores das forças dinâmicas do Concelho, com a devida participação autárquica.

A formação colaborativa com recurso à estratégia de investigação-acção no domínio da criação de trabalhadores do conhecimento comporta a articulação destes à equipa de investigação através de um projecto de concatenação de ambas as equipas com destino à apropriação de resultados ao longo do percurso do projecto nos mais diversificados campos em que os observadores se situem e do grau de construção dos correspondentes “olhares” - desde os das comunidades científicas e académicas que operam nos contextos da problemática complexa do Projecto à variedade de destinatários finais congregados nas categorias sociais dos seus Grupos-alvo . É neste âmbito que se coloca a reversibilidade das linguagens vigentes nos referidos campos, matéria de investigação a assumir no desenvolvimento do Observatório, com o pressuposto de não subestimar nenhuma delas, antes as correlacionando através do mapeamento dos conceitos, na perspectiva de que as fronteiras da Ciência são tanto mais permeáveis ao senso comum quanto maior for a consciência do contributo deste para a responsabilização da comunidade científica perante o universo social a que se destinam os resultados de toda e qualquer investigação.

A reversão dos registos tácito e explícito de produção do conhecimento entre si constitui pois a pedra de toque da criação das bases de dados e de conhecimento apropriáveis pelos diversos usuários do Observatório. O desenvolvimento da bolsa de recursos humanos a partir do investimento da Autarquia nesse âmbito far-se-á portanto no sentido de valorizar, no âmbito das competências reunidas, as capacidades de inovação susceptíveis de aplicação em campos de sociabilização externalizados de cujas combinatórias derivem conteúdos internalizados na vertente dos projectos específicos da Autarquia, designadamente o da consolidação das redes sociais e institucionais, o da capitalização da memória social e dos projectos emergentes dos mais variados perfis, incluindo os que resultem da narrativa da cidade, das vivências inerentes à dinamização do bem comum através da intervenção cidadã no quotidiano e da configuração de perfis profissionais autárquicos adequados à emergência e consolidação da Sociedade do Conhecimento, a partir da mobilização de todos esses projectos.

4. Um Projecto em desenvolvimento

As questões nucleares da passagem do estado emergente em que o Observatório se encontra para o andamento que pretendemos impulsionar a partir deste evento são pois os da configuração dos Grupos-alvo finais, o da mediação com recurso à formação colaborativa que esta lhes propiciar e o desenvolvimento dos Recursos decorrentes das suas praxis, bem como o acolhimento destas no contexto da diversificação de conteúdos do sítio e dos desenvolvimentos da Plataforma informática.

Metodologicamente este projecto é pois consistente com as estratégias de planeamento “bottom-up” e os processos centrados nas pessoas, na medida em que este modelo de investigação-acção, sendo um modelo dinâmico, se centra no envolvimento e na participação interactiva dos cidadãos entre si e com os interlocutores posicionados nas esferas do saber e do poder, a que entendam dirigir-se, no âmbito do Código Ético do Observatório.



PARTE II
Da Sociedade da Informação à do Conhecimento

1. O saber como recurso diferencial


Na sociedade do conhecimento – onde as organizações evoluem - o recurso económico básico é o saber. As actividades centrais criadoras de riqueza baseiam-se na produtividade e na inovação, ambas aplicações do saber ao trabalho. O saber formal é visto simultaneamente como o recurso pessoal chave e o recurso económico fundamental, sendo hoje em dia o único significativo. Aliás, a melhor aplicação do saber é hoje feita sobre o próprio saber. As escolas e as universidades estão a mudar drasticamente e os factores que vão determinando essas mudanças são as novas tecnologias disponíveis, as exigências de uma sociedade baseada no conhecimento, em que a educação organizada deve transformar-se para os trabalhadores do conhecimento num processo para toda a vida e, finalmente, a nova teoria sobre como os seres humanos aprendem. Aliás esta nova teoria tem de ter em conta o novo ambiente hipertextual (e hipermédia) de produção e fruição intelectual.


O registo, a recuperação e a difusão de mensagens é inerente a todos os processos de informação/comunicação, eles mesmos essenciais à vida em sociedades. E as mutações que ocorrem em tais processos foram e são hoje cada vez mais marcantes na evolução dessas mesmas sociedades.

O conhecimento e a informação são elementos críticos em todos os modos de desenvolvimento dado que o processo produtivo é sempre baseado num certo nível de conhecimento e de transmissão e processamento da informação. Mas, ao longo dos tempos, as formas de gestão da informação e do conhecimento variaram profundamente, sendo certo que o registo, armazenamento, recuperação e transmissão de texto e, posteriormente, de imagem, som e vídeo, sempre foram centrais nesta transformação. Aliás, como refere José Afonso Furtado (2000), ao longo dos tempos, “a escrita parece estar ligada ao problema da administração e às necessidades de uma burocracia” e, reforçando a ideia: “a função das escritas foi de início extremamente prática, ligada ao que virá a ser a gestão do estado” e só muito mais tarde assumiu as funções de conservação da memória social, na sua vertente estética (poesia, epopeia...) ou na sua vertente tecnológica (transmissão de saberes e técnicas).

Assim, escrever e ler tornaram-se actividades fundamentais que dividem os homens: entre os que sabiam (sabem) ou não sabiam (não sabem) cifrar ou decifrar, e que com esse saber detinham (detêm) poder.

Os dias de hoje configuram uma “revolução” mais radical do que todas as anteriores por abranger, pela primeira vez em simultâneo, um conjunto de mutações que até agora tinham ocorrido em separado: nas técnicas de reprodução do texto, na forma ou suporte do texto e ainda nas práticas de leitura (Roger Chartier, 2002). No passado, isso nunca sucedeu: “a invenção do códice no Ocidente não modificou os meios de reprodução dos textos ou dos manuscritos. A invenção de Gutenberg não modificou a forma do livro. As revoluções nas práticas de leitura ocorreram no contexto de uma certa estabilidade quer nas técnicas de reprodução dos textos quer na forma e materialidade do objecto. Mas, hoje, as três revoluções - técnica, morfológica e material – estão perfeitamente interligadas.”

Inscrever mensagens em suporte material, permitindo o armazenamento e transportá-las, libertando-as desse suporte material durante o transporte… está no cerne da aventura da nossa época. Mas até que ponto podemos dizer que a tecnologia – ou esta tecnologia - induz uma transformação profunda das relações sociais?

A edição electrónica beneficia da grande capacidade de armazenamento de dados, da velocidade de produção e disseminação, da facilidade de actualização e correcção e de cada vez maiores potencialidades colaborativas e interactivas. Por isso são inegáveis as vantagens que oferece face à edição tradicional, quer no se refere à disponibilidade do conteúdo quer à transparência, interactividade, possibilidade de integração e de pesquisa e diversidade de formatos (hipertexto e hipermédia).

Ora a geração de publicações que exploram as capacidades específicas do universo digital, o crescimento exponencial da Web, a vulgarização do trabalho em rede e de ambientes hipertextuais questionam a democraticidade do acesso aos benefícios que ela introduz. É neste âmbito que faz sentido ponderar o conceito de brecha digital, ruptura epistemológica fundada na capacidade diferencial desse acesso, permitindo distinguir os info-excluídos em relação àqueles que o não são.

As potencialidades crescentes da Net passam pelo hipertexto e hipermédia como resultado da capacidade desta para integrar e organizar documentos em colecções coerentes com referências cruzadas extensas, estáveis e acessíveis. Em consequência disso tornou-se o formato standard para software educativo interactivo, livros de texto e documentação técnica, obras de referência e para a própria Web. O tradicional tempo linear da narrativa desaparece assim num labirinto sem saída, o começo, o meio e o fim deixam de fazer parte da sua apresentação imediata. Em vez disso, temos opções ramificadas, menus, link markers e redes mapeadas.

O ambiente hipertextual, na sua complexidade, tornou-se pois estruturante do nosso espaço intelectual, colocando a exigência de novas competências às sociedades contemporâneas.

As técnicas hipertextuais derivam da conjugação de uma mudança tecnológica com uma epistemológica - do estatuto do texto - justificando que a literacia hipertextual se torne epistemologicamente distintiva no contexto dos usuários da Net. Em paralelo, o investimento dos jovens na conjugação do paradigma audiovisual com a “cultura diversão” da sociabilidade dos grupos insere-se numa profunda modificação dos “mundos da cultura”, em particular nas suas instâncias de legitimação e na propriedade do monopólio de classificação de “quem é ou não culto”. Paulatinamente, consagra-se um novo paradigma de “ser-se culto” que já não é sinónimo de “ser-se cultivado” ou de acumular referências próprias à cultura clássica, escolar e patrimonial. Todavia, na crescente indiferença dos jovens face às normas culturais dominantes não é possível ignorar os efeitos da interactividade, do multimédia ou do hipertexto, cuja força cognitiva ainda não sabemos quantificar ou qualificar completamente. Ler num ecrã difere de ler um livro - a velocidade da leitura, o momento das pausas, a duração da concentração, a frequência com que saltamos texto ou voltamos atrás, …– vão ser diferentes, e essas diferenças vão ter efeitos no modo como compreendemos e recordamos o que lemos.

Mas enquanto a partilha de informação se faz facilmente em ambiente virtual – sendo responsável pelo extraordinário fenómeno da globalização acelerada da economia mundial – a partilha do conhecimento a distância exige uma resposta localizada que permita potenciar o diálogo, a confiança e a construção conjunta, em ambientes presenciais, estendendo-os depois aos ambientes mediados pela tecnologia, e assim maximizar a disseminação de conhecimentos e a produção em trabalho colaborativo, que resulte em valor para os seus autores, para o resto do grupo e para a comunidade interessada.

Como diz Goman (2002) “Hoje, a colaboração informada é essencial para o sucesso organizacional, e os líderes têm que assegurar que os empregados têm acesso a todos os factos sobre todos os aspectos do seu trabalho, o que requer um maior investimento em programas de educação e desenvolvimento pessoal de forma a que tenham suficiente experiência prática para usar os dados partilhados.” Mais forte ainda é essa necessidade quando se pretende partilhar conhecimento, criá-lo colectivamente ou difundi-lo em comunidades mais vastas.

Assim, a orientação assumida no PNACE, de dinamização da Rede de Centros de Recursos em Conhecimento, pressupõe um forte investimento em programas de educação e desenvolvimento pessoal para que o tecido económico e social se torne apto a usar e a reforçar os recursos a partilhar. Mais: com a disseminação das TICs, não sendo economicamente viável manter um grande número de seres humanos no desempenho de tarefas que, com muito menores custos e maior eficiência, poderão ser desempenhadas pela tecnologia, há que desenvolver e proporcionar aos potenciais desempregados programas de formação contínua e ocupacional que lhes facilite o acesso e o apoio para a mudança de trabalho perspectivada.

Este tipo de programas deve partir de uma identificação das capacidades actuais dos formandos para as amplificar e valorizar face aos diferentes tipos de necessidades do mercado de trabalho (dentro ou fora da organização onde estão inseridos) às quais, com vantagem, poderão responder.

Estão neste caso os diversos tipos de Assistentes e Técnicos de Secretariado, por exemplo. Num Projecto como o Observatório do Cidadão, tais trabalhadores, previstos como grupo-alvo do Projecto de relação das Organizações com os Cidadãos, deverão contribuir para o reforço da memória das organizações que integram. Parte-se, nesse caso, de um perfil profissional que exija raciocínio concreto e lógico, memória com poder de retenção e de reprodução de números, palavras, frases, fisionomias, imprescindível na rotina quotidiana das organizações e experiência de contactos sociais, a vários níveis, um grau elevado de inteligência social e desenvolvida capacidade de comunicação, a par de conhecimentos de informática.

É deste perfil genérico que se parte para a concepção de um programa de formação que se propõe valorizar as capacidades de “comunicação, de relacionamento e inteligência social, de adaptação a situações novas, o seu espírito inovador e sentido prático” e, por outro lado, ampliar fortemente os seus “conhecimentos de informática” preparando estes trabalhadores para assumirem um novo perfil de competências como “mediadores de trabalho colaborativo”, designadamente nesse âmbito.

2. Das comunidades virtuais às ecologias de informação.

O novo paradigma comunicacional, baseado na colaboração entre sistemas diversificados e ligados através de redes que disponibilizam protocolos de comunicação garante que, consoante as aplicações que se constroem para facilitar a comunicação, se simulem ambientes de relacionamento diversificados: a Internet funciona assim como “uma espécie de metamedium” (Furtado, 2000), que permite ouvir rádio, telefonar, ver TV, explorar uma base de dados, fazer um conjunto de cálculos, ler jornais ou revistas, ir buscar uma certidão ou comprar um livro, acompanhar um rebanho por satélite, etc, etc.

Da e-presence (apresentação de informação na Web, com indicação de contactos) ao e-commerce (com transacções comerciais por via electrónica) e ao e-business (que já exige a integração de processos, usando a Web da procura à oferta, para relacionamento com actuais ou potenciais parceiros na cadeia de valor, e para relacionamento com actuais e potencias clientes, eventualmente em novos mercados e para novos produtos) e às suas variantes (e-administration, e-learning), às comunidades virtuais – de aprendizagem, de lazer, de convívio, de interesses e práticas - a modificação é profunda, ainda que com progressos, retrocessos e velocidades desiguais.

Portal de informações ou de conteúdo, portal de negócios, portal de suporte à decisão, portal de trabalho cooperativo, portal de especialistas, portal do conhecimento, portal de informações empresariais, são algumas das variantes orientadoras que, em geral, não se apresentam de forma “pura” mas combinadas.

Como diz Tereza Raquel Merlo (2005), “a Gestão do Conhecimento tornou-se tema privilegiado no universo das preocupações mais candentes de nossa época, principalmente nas duas últimas décadas, devido às amplas possibilidades de processamento, armazenamento e acesso à informação e dados, amparados nas tecnologias de informação e comunicação.”

Manuel Castells (1996) propõe o conceito de sociedade informacional para distinguir “a informação, no seu sentido lato, isto é, como comunicação do conhecimento, que sempre foi um elemento vital em todas as sociedades (…) do termo informacional, que se refere ao atributo de uma forma específica de organização social em que a geração, processamento e transmissão da informação se tornou a fonte fundamental da produtividade e do poder, em virtude das novas condições tecnológicas que surgem neste período histórico.”

Vivemos em ecologias da informação. Uma ecologia da informação é um sistema de pessoas, práticas, valores e tecnologias num ambiente particular. Nas ecologias da informação o foco não está na tecnologia, mas nas actividades humanas servidas pela tecnologia. A avocação de uma habitação local – um sítio - e de um nome representa a própria essência de uma ecologia da informação.

Numa ecologia algumas das espécies básicas asseguram a tarefa de mediação, essencial à sobrevivência e desenvolvimento da ecologia face ao ambiente.


3. – Criação e disseminação do conhecimento

Os quatro tipos de conversão e os quatro processos estão intimamente ligados. A exteriorização é provocada através do diálogo ou da reflexão colectiva. A combinação é provocada pelo networking do conhecimento criado ou existente nas diferentes partes da organização. A acção ou o aprender-fazendo são os factores-chave da interiorização. Finalmente, a socialização começa com a construção de um campo de interacção que facilita a partilha das experiências e dos modelos mentais dos membros. A criação de conhecimento organizacional, que resulta do funcionamento deste sistema dinâmico, é definida como o “processo que amplifica organizacionalmente o conhecimento criado por indivíduos e o cristaliza como parte da rede do conhecimento da organização” (Nonaka & Takeuchi, 1995).”

Compreende-se assim quanto a criação e manutenção de um campo de interacção é crucial para a criação e difusão do conhecimento: segundo esta teoria, os sistemas de conhecimento organizacional só podem funcionar se existir um contexto facilitador, um espaço e um tempo específicos que inclua o espaço das relações interpessoais. O conhecimento criado entre indivíduos tem de ser partilhado, recriado e amplificado através de interacções com outros.

4 – A formação de mediadores de trabalho colaborativo

Os perfis e referenciais de formação dos “trabalhadores do conhecimento” estão ainda muito incipientemente abordados pelo que a avaliação da oportunidade da formação para um potencial perfil de mediadores de trabalho colaborativo terá de seguir uma metodologia adequada a tal precariedade. É necessário:

-Produzir conhecimentos sobre a realidade em mudança e estudar os bloqueios à eficácia e eficiência do Trabalho Colaborativo na Sociedade do Conhecimento
-Inovar, inserindo no tecido económico e social novos perfis e novas condições de relacionamento com vista à superação de tais bloqueios

Mas tal não pode ser feito sem a formação de novas competências. E é necessário avaliar se esta formação é adequada no sentido de poder contribuir para o atingimento dos dois primeiros objectivos.

Recorrer-se-á aos resultados obtidos nas disciplinas de CSCW - Computer Supported Cooperative Work (Trabalho Cooperativo Mediado por Computador) e CSCL - Computer Supported Collaborative Learning (Aprendizagem Colaborativa Mediada por Computador) e, em particular, usar-se-ão como tais ou reinterpretados os conceitos de Argyle e Axelrod sobre a natureza e propósitos da cooperação – reconhecimento externo, desenvolvimento de um relacionamento e partilha de actividades e recursos, benefícios mútuos - o conceito de zona de desenvolvimento proximal de Vygotsky – a interacção entre pares (aprendizes) mais capazes e com o professor aumenta a capacidade de aprendizagem e diminui o gap entre o desenvolvimento actual e potencial de cada um - e a classificação de modelos de colaboração proposta por Butler e Coleman para relacionar os modelos de interacção em grupo com o tipo de tecnologias de suporte.

É na escolha das metodologias de aprendizagem – combinando técnicas e tecnologias de CSCL – que se investirá, na medida em que ela permitirá o “vários em um”: aprender a usar as tecnologias, reaprender/valorizar as novas formas de relacionamento a distância, nomeadamente pela Internet, recriar uma rede de relacionamentos (comunidade de mediadores) orientada para o apoio à disseminação e produção do conhecimento.



PARTE III

Teses Específicas

I O Papel da Cidadania enquanto dimensão civilizacional
da Sociedade do Conhecimento
(Maria Alfreda Cruz)

O trabalho apresentado na Sessão traduz os resultados de uma investigação em curso no “território” Web que conduzirá a avaliarmos a pertinência do conceito de capital social e de todos os que lhe estão consociados, em face da sua operacionalidade na Sociedade do Conhecimento, tendo em atenção que esta é simultaneamente a sociedade do risco e a da liberdade de gerar e de gerir projectos de vida e de autodesenvolvimento .

A tese de que se parte é que a forma de lidar com o risco não se compadece com a dominância de uma perspectiva securitária, devendo antes passar pelo fortalecimento das dinâmicas de capital social em sede de produção de um empowerment que denuncie a perversidade inerente às múltiplas formas de exclusão social que subjazem às formas de violência mais correntes na Sociedade dos nossos dias A cidadania, enquanto dimensão civilizacional do fortalecimento da autonomia individual e comunitária, tem por horizonte o bem comum e a rejeição da arrogância ou da indiferença pelo próximo, as quais investem no agravamento de vulnerabilidades sociais, como sejam, por exemplo, as múltiplas nuances do racismo e do sexismo.

Contra o expansionismo das mensagens que globalizam tais posturas, nomeadamente na Web, só a defesa de um capital social consistentemente ancorado numa cidadania activa, responsável e comprometida em todos os campos em que se produza, pode garantir coerência ao investimento da responsabilidade social no exercício da cibercidadania, a partir do exercício quotidiano da mesma responsabilidade cívica na participação cidadã em todos domínios da res publica.

É neste duplo âmbito de responsabilidade social e de prevenção do risco inerente ao trânsito dos conteúdos e da livre opinião pelo território web que o Observatório assume a indispensabilidade de incluir um Código Ético que vincule todos os seus usuários às regras de jogo da relação entre pares e entre os diversos actores sociais e institucionais em jogo

II A Relevância do Sítio Local de Cidadania na Responsabilidade Social
(Gonçalo Becerra)

Como é a democracia portuguesa em termos de qualidade? Em termos de participação dos cidadãos? Estas eram as questões formuladas num diário de grande tiragem pouco tempo antes da apresentação do Observatório e a resposta era dada pelo próprio Diário: “…desde um ponto de vista da democracia formal, Portugal fica acima de países como a Espanha, a Grécia ou a Itália”.

Então o que puxa a democracia portuguesa para baixo? Outros critérios. Por exemplo: a participação. Aqui a posição portuguesa desce bastantes lugares. Ou seja, as instituições políticas formais estão pouco rodeadas de associações cívicas que eficazmente as escrutinem. Precisamente para colmatar essa falta de participação, surge o Observatório do Cidadão como centro dinamizador e difusor de actividades sociais e virtuais que assentam em valores comunitários.

Pretende-se que a utilização do Observatório seja incentivada de modo a que todos os cidadãos interessados, incluindo os infoexcluídos possam tornar-se mais participativos, mesmo que por arrastamento, através da colaboração dos mais jovens: Por exemplo pode ser um bom começo um neto que acompanhe o avô na interacção com a Internet ou vice versa.

A haver receptividade, o Observatório fará a articulação entre a Sociedade do Conhecimento na função de mediador de aprendizagens em ambientes virtuais, com a Sociedade de Aprendentes, recorrendo à estimulação constante por via e-learn e presencial do Desenvolvimento Integral, a partir do Cidadão. Assim, e utilizando como ferramenta, ou facilitador de participação, as novas tecnologias, temos a convicção que o cidadão terá menos relutância em participar na resolução dos assuntos que lhe dizem respeito, aprendendo designadamente a reclamar os seus direitos no contexto da responsabilidade social que lhe cabe como cidadão.


III O Território como Expressão de Cidadania
(Ângela Dionísio)

O Conceito de Cidadania é indissociável do conceito de Território e, como tal, este projecto não poderia de modo algum negligenciar a linha de investigação ligada às temáticas do Urbanismo, do Ordenamento do Território, do Planeamento e da Gestão Urbana e do Ambiente. Concomitantemente, será dado particular destaque às questões do imobiliário não só porque consubstancia uma das actividades económicas que mais contribui para a transformação e desenvolvimento do Território como também pela oportunidade desta temática na sequência da decisão de localização do NAL (Novo Aeroporto de Lisboa).

Esta linha de investigação cruza com o objectivos gerais de:
°Promoção da cidadania activa designadamente nesta área do planeamento e gestão urbana.
°Valorização da participação dos indivíduos no âmbito das redes sociais: valorização do capital social contribuindo para a coesão social;
°Reforço do empowerment das comunidades locais em concreto nesta área da gestão e planeamento urbano. Significa “conhecer”, “participar” e até “influenciar nas tomadas de decisão sobre o uso e transformação do Território.

Neste sentido, a estratégia operacional da equipa de investigação passa pela coordenação do Gabinete Virtual c3s suportado num Gabinete Local autárquico instalado no local do Esteval, responsável nomeadamente pela recolha e tratamento de informação, produção de bases de dados, e pelo interface com as comunidades e redes sociais locais. Para este efeito, o Projecto conta com uma equipa de técnicos nomeados pela CMM – Grupo alvo 0 – e com o envolvimento de consultor(es) da equipa de investigação especializado nas estratégias metodológicas da investigação-acção . Este gabinete terá uma Coordenação local que orientará no terreno a equipa técnica assegurando a execução de um plano de trabalhos de acordo com a uma metodologia previamente definida com a equipa de investigação, no sentido de lhe disponibilizar a orientação metodológica que for entendida por necessária.


IV A Construção do Olhar do Cidadão
(Tereza Ventura)

Numa sociedade em mutação profunda, com crescente mobilidade dos recursos humanos, fortemente carente de adaptabilidade e inovação e potencialmente geradora (e gestora) de conflitos de grande violência e vasto impacto e de fenómenos extremos de exclusão social, o grande desafio é a capacitação dos activos para aprender e ensinar a aprender, diversificar percursos e actividades, ganhar e maturar a autonomia (científica, técnica, profissional, cívica, política…), valorizar a investigação e a inovação, reforçar as relações de pertença, de co-responsabilidade, de cooperação e solidariedade e os sentimentos de auto-estima colectiva.


Se uma “ecologia da informação” designa um sistema de pessoas, práticas, valores e tecnologias imersos num ambiente particular, comportando um sentido da localidade.” (Nardi e O’ Day (1999). As diferentes partes de uma ecologia evoluem de acordo com as relações do sistema, à medida que novas ideias, instrumentos, actividades e formas de experimentação surgem no seu âmbito, porque os. Aspectos sociais e técnicos de um ambiente se desenvolvem em conjunto. Os mediadores que estabelecem a relação entre o Projecto e os Cidadãos são componentes essenciais das ecologia de informação inerente ao Sítio local de Cidadania


Mediar o desenvolvimento, em larga escala, das organizações em rede, a investigação e inovação em parceria – multi e transdisciplinar – a formação just in time para grupos de grande dimensão, a coordenação de políticas a nível transnacional e tantos outros fenómenos económico-sociais da nossa época são desideratos que vieram recolocar em foco a necessidade e a metodologia do trabalho colaborativo. A nossa tese é a de que um Sítio Local de Cidadania pode pôr de pé a estratégia que permita inovar no caminho da formação ao longo da vida e das várias competências que fazem de um indivíduo um cidadão activo, capaz de observar a realidade com um olhar cognitivamente construído e de observar o seu próprio olhar, questionando-se e afinando o seu modo de ver.



PARTE IV
Linhas Gerais do Debate

Da riqueza do debate decorrido no breve lapso de tempo de remate do evento, seleccionamos notícia das intervenções que implicaram retornos por parte do Painel, mantendo porém o Debate em aberto junto de todos os participantes que desejem revisitar este espaço através da ferramenta blog associada.

Este convite é extensivo a todos os convidados que, não tendo podido participar neste Lançamento, manifestaram o seu interesse no mesmo.

Registam-se pois seguidamente as anotações da Equipa sobre os aspectos fulcrais das sucessivas intervenções no Debate, salientando em caixa as reflexões que elas desencadearam no âmbito da equipa


Maria Amélia.Antunes (CMM_ Presidente)

1 – No plano da comunicação a que o desiderato da intercomunicabilidade se propõe, a permeabilidade entre o conhecimento tácito e o explícito( implícito) é o desafio fulcral do Projecto...

2 – No plano do relacionamento dos cidadãos com os assuntos públicos, o défice de participação dos munícipes revela-se flagrantemente na ausência de qualquer chamada de atenção por parte dos cidadãos em relação aos PPA postos a discussão pública pela Autarquia como por exemplo acontece com a revisão do PDM e com os próprios regulamentos municipais igualmente propostos a discussão.


1.1. Não sendo preciso que os destinatários finais ou intermédios do Projecto sejam cientistas ou possuidores de uma formação enciclopédica, ou sequer relevante para lidarem com a plataforma informática, as potencialidades que o Sítio Local de Cidadania abrem ao desenvolvimento das suas capacidades e competências, enquanto cidadãos, passam por modos de intervenção susceptíveis de requererem apoio que os habilitem para tal. O Grupo-alvo dos mediadores pode dispor do incentivo de toda a equipa de investigação para os aspectos teóricos e genéricos da sua integração na Bolsa de Recursos Humanos, carecendo todavia previsivelmente da orientação complementar de especialista(s) em assuntos que concretizem as referidas dimensões da produção de conteúdos e os modos de comunicação em que eles se exprimem.

1.2. A intervenção da CMM sobre o défice de participação dos munícipes demonstra que a actividade autárquica está confrontada com a desmotivação dos munícipes e que passar desse estádio incipiente da cidadania para o da plenitude a que o Projecto se propõe, implica a necessidade do recurso da intervenção autárquica a consultorias especializadas que apoiem as práticas de envolvimento dos munícipes na apropriação dos conteúdos que lhes são propostos, bem como a relação destes com as práticas educacionais aos níveis adequados. No âmbito do Projecto-âncora do OC (Projecto C&SC) as consultorias previstas reportam-se às áreas temáticas das Políticas de Investigação e do Ensino Superior, em que se baseia a lógica da I&D, as Políticas Sociais em que se baseia a filosofia inclusiva do Projecto e as do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável em que se baseia a dimensão da sustentabilidade destes vectores das praxis assumidas na transversalidade do bairro à megalópolis. Os 3 consultores que, em 2006, corresponderam ao convite da Equipa foram respectivamente os Professores João Vasconcelos Costa, Paulo Machado e Luisa Smidth. que, ao tempo da apresentação do Formulário à FCT, se apresentavam institucionalmente ligados à Universidade Lusófona, no primeiro caso, à UAL e a o LNEC, no segundo, e ao ICSda Universidade de Lisboa, no terceiro.

Não tendo o Projecto obtido financiamento através do Concurso à FCT em 2006, o CFCUL deliberou valorizar a apreciação expressa pelo júri quanto às características de inovação e de originalidade do Projecto para avançar com a proposta à CMM de uma parceria susceptível de lançar no terreno uma experiência piloto em torno da dimensão nuclear do Observatório do Cidadão, erigido em projecto específico do Projecto-âncora, com vantagens mútuas para a Autarquia - na medida em que se envolve no autodesenvolvimento da dimensão participativa do seu perfil democrático – e para o CFCUL, na medida em que, desenvolvendo experimentalmente o método de investigação-acção que o incentiva, poderá demonstrar a exequibilidade do referido Projecto através das praxis entretanto fomentadas.

1.3. De facto, o Sítio de Cidadania Local, tal como se apresenta na página vestibular do Site do OC que se lhe reporta, é uma infraestrutura organizacional que, polarizando a a vivência comunitária, resiste pois à desterritorialização, assumindo-se como infraestrutura social da polis, ao incentivar explicitamente a territorialização das políticas públicas através da participação activa na sua ponderação. Neste contexto, a novidade deste Projecto passa por assumir a net como um território comunicacional específico, na medida em que se revelar capaz de registar informação permeável à apropriação do cidadão e à reversibilidade desta, provida do valor acrescentado da sua opinião tanto mais válida quanto mais cognitivamente habilitada para a intervenção pertinente na decisão.

Para isso, o Projecto assume o desiderato da inclusividade sociocultural no âmbito da implementação do Modelo RECCRIA_PROMOVE_RESISTE e do modo de concretização em que assenta, comportando no âmbito da Plataforma informática do OC os domínios Forum e Learn, respectivamente adequados à comunicabilidade interactiva pela via net e, pela mesma via, o fomento de aprendizagens específicas, em ligação ao sistema educativo, formal, informal ou para- formal, bem como o de aprendizagens transversais, através de ferramentas adequadas, cuja investigação está em processo no âmbito da equipa


2.1-O acesso à esfera pública por parte dos cidadãos passa pela dinâmica de oferta/ procura que se cria em torno da promoção e difusão de projectos que lhes digam respeito e este enquadra-se nesse perfil.

2.2- A operacionalização dum projecto global e complexo como o presente implica desafios que comportam para os previsíveis mediadores a necessidade de estes serem apoiados pelas instâncias envolvidas na produção e apropriação do projecto.

2.3.- Na identificação de referenciais de concretização é fulcral o papel dos agentes sociais e económicos presentes no terreno.

2.4.- A definição das bases de dados constitui o desafio prioritário para a configuração dos diagnósticos inerentes aos vários campos em presença, sendo indispensável em cada um deles construir um programa de acções coerentes e definir o modelo de avaliação que permitirá acompanhar, ajustar e aferir os inputs e as mais valias do projecto desde que se fundamente no conjunto de FAQ’s necessárias e suficientes para lhe grantirem coerência e coesão intrínseca na operacionalização com os vários actores e agentes actuantes.


2 . A interacção entre as praxis pela via net e as desenvolvidas no terreno, implica um programa específico de formação de mediadores a que a Autarquia procura corresponder, constituindo uma bolsa de recursos Humanos para o efeito, através da reorientação de horário de técnicos funcionalmente posicionados na CMM para as aprendizagens inerentes à referida formação.

O desiderato da intermediação significa que a referida bolsa constituirá, a este nível, um grupo alvo específico do OC, cuja intervenção no terreno e na web será fulcral para que os distintos grupos alvo finais possam dispor de todas as potencialidades do OC. A produção de conteúdos próprios do Sítio Local de Cidadania passará por este circuito de relacionamento, sendo que o faseamento deste terá de compaginar-se com o ritmo de provimento de condições para esse efeito. Na etapa inicial, enquanto o Autarquia não conseguir aceder aos instrumentos programáticos da esfera do QREN, através dos quais os mediadores poderão habilitar-se a desenvolver as suas competências e disponibilidades para uma autoformação em registo de formação –acção na interactividade com os cidadãos, a habilitação dos mediadores poderá valer-se das capacidades e disponibilidades da Agenda destes para lidarem com a informação institucional da Autarquia e com o universo do relacionamento desta com as Redes sociais, institucionais e empresariais do Concelho, no sentido de lançarem no site do OC os conteúdos mobilizadores da opinião informada dos cidadãos sobre os factos e as dinâmicas em presença. Será prioritário para os interesses da Autarquia e dos munícipes investir na análise da sua relação de tais dinâmicas com os Planos e Projectos da Autarquia e com a Narrativa da Cidade, sobre as dimensões temporais do passado, do presente e do futuro desta.

A consciência da complexidade de que o desafio se reveste confirmou a expectativa de vir a ser garantida pela parceria CFCUL/CMM, uma consultoria específica à produção de conteúdos em velocidade de cruzeiro e o lançamento de um conjunto de workshops subsequentes ao presente evento.
António Teodoro (UHTL)

3.1. -Abertura à cooperação do Observatório do Cidadão com o Observatório das Políticas Educativas e de Contextos Educativos no âmbito da Unidade de I&D da Universidade Lusófona, com a rede do Instituto Paulo Freire, cujo núcleo de Lisboa é coordenado pela Drª Madalena Mendes

3.2. – Sugestão de articular a filosofia do OC à política do Conselho da Europa nas matérias concernentes ao Projecto e de explorar a memorização e a dinâmica do(s) sítio(s) de educação para cidadania de Lisboa, fomentado(s) com o envolvimento do extinto IIE que promoveu Projecto específico nessa matéria.

3.3. –Incentivo a tomar como ambiente contextual do desenvolvimento da cidadania na apropriação do OC, os desideratos do Forum Social Mundial, com especial relevo para o Forum Mundial de Autarquias, com génese em Porto Alegre e com desenvolmentos paradigmáticos o Orçamento participativo e as Cidades Educadoras na relação com a Unidade de Investigação da Universidade de Coimbra liderada por Boaventura Sousa Santos .


António Teodoro (UHTL)

3.1. -Abertura à cooperação do Observatório do Cidadão com o Observatório das Políticas Educativas e de Contextos Educativos no âmbito da Unidade de I&D da Universidade Lusófona, com a rede do Instituto Paulo Freire, cujo núcleo de Lisboa é coordenado pela Drª Madalena Mendes

3.2. – Sugestão de articular a filosofia do OC à política do Conselho da Europa nas matérias concernentes ao Projecto e de explorar a memorização e a dinâmica do(s) sítio(s) de educação para cidadania de Lisboa, fomentado(s) com o envolvimento do extinto IIE que promoveu Projecto específico nessa matéria.

3.3. –Incentivo a tomar como ambiente contextual do desenvolvimento da cidadania na apropriação do OC, os desideratos do Forum Social Mundial, com especial relevo para o Forum Mundial de Autarquias, com génese em Porto Alegre e com desenvolmentos paradigmáticos o Orçamento participativo e as Cidades Educadoras na relação com a Unidade de Investigação da Universidade de Coimbra liderada por Boaventura Sousa Santos .


3. A pertinência deste registo implicou a reflexão sobre o vasto conjunto de redes e movimentos que, com suporte institucional, ponderam e actuam em dinâmicas transnacionais, como foi o caso da recente Conferência Internacional "Educando o Cidadão Global", decorrida na Universidade Lusófona, em meados de Junho, na qual a matéria deste Lançamento foi objecto de apresentação preliminar ao grupo de discussão que se constituiu em torno da apresentação do Site do Observatório do Cidadão pelas autoras responsáveis pela minuta das Partes I e II desta Sinopse.

A mesma intenção de colocar os temas do Projecto-âncora em linha com temáticas congéneres, levou a signatária do Livro I a apresentar ao Centro Latino-Americano para o Desenvolvimento desde 2002 até 2007, as Comunicações que, na totalidade, o integram, bem como uma Notícia apresentada à Conferência dos Poderes Locais e Regionais do Conselho da Europa decorrida em Sofia, em 2004, como Consultora da INDE Em Outubro de 2007, o tema foi objecto de uma comunicação na I Conferência Internacional de Filosofia da Ciência, promovida pelo Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa e pela Embaixada de França em Lisboa (IFP), na qual a signatária defendeu a tese do impacto do Projecto--âncora na possibilidade de um novo Contrato Social.

Prevemos relacionarmo-nos sustentavelmente com todas as redes, de geometria e alcances variáveis, que manifestem abertura à nossa intenção, em especial as que envolvem as comunidades portuguesas de I&D com suporte na FCT, como é o caso da Universidade Lusófona, bem como com a Unidade I&D da Universidade de Coimbra e com o INA, onde o Projecto começou por ser equacionado (2002-2005) na perspectiva do seu impacto possível na governação, em horizontes de médio e longo prazos.


Elisabete Oliveira ( Unidade de I&DE da FPCE/UL)

4.1.- Reconhece a pertinência do Projecto pela adequação das finalidades a necessidades reais de auto-eco-compatibilização do cidadão e seus âmbitos contextuais, em actualização contínua.

4.2.- Salienta a necessidade do entrecruzamento das comunicações desenvolvidas em terreno virtual e no terreno das práticas sociais, relevando a importância da Observação nas dimensões do Ver e do Ouvir, a partir do trabalho de proximidade.

4.3. –.Releva que a recursividade de um trabalho dos actores sociais que passe pelo diálogo com os mediadores a partir do local de desenvolvimento comunicacional, propicia o levantamento de âmbitos de exploração pertinente com os objectivos do Projecto – ao ponto de os cidadãos-utentes o assumirem como ferramenta sua - com registo e andamento subsequentes no respectivo site

Em Remate da sessão, o Painel invocou - dando voz ao programa de Conferências Internacionais reportadas à Crítica do Quotidiano que a Fundação Serralves desenvolve no ano presente nas dimensões da Política, da Ecologia e do Social - que “ a cultura, a arte e a produção intelectual estão hoje confrontadas com o espectro que assombra o indivíduo: o do esvaziamento e o da inutilidade (…) Há novas formas de violência e défices sociais que daqui resultam . É também contra esta realidade que este Observatório se levanta, porque a privação da cidadania social é também uma forma de violência…


4 .Em convergência com a presente intervenção, a Equipa de Investigação actual, redimensionada à escala da experiência piloto fundamentada na criação do Observatório do Cidadão, perfilha a dualidade da Observação através do Olhar/Ver e do Ouvir/Escutar que passa pelo diálogo presencial dos actores sociais com os mediadores no sentido da conscientização cognoscente. Esta perspectiva implica o desenvolvimento comunicacional no dualismo distância vs proximidade e a metodologia da investigação-acção com fundamentos comuns à da formação-acção dos mediadores que constituem, como tal, um grupo alvo do Observatório indispensável à inclusão dos munícipes menos habilitados ao exercício da cidadania, dada a incipiência em que estes se encontram no domínio das várias formas de literacia através das quais a Sociedade do Conhecimento progressivamente se afirma

Trata-se de um desafio de grande complexidade que passará por um conjunto significativo de tarefas, as quais reclamam dos poderes públicos uma grande disponibilidade anímica e financeira, sendo essa a razão pela qual só uma estrutura como a FCT ou uma dinâmica suportada pelo QREN poderá corresponder a todo o acervo programático que lhe seja proposto em convergência com o portefólio de tarefas identificado na modalidade do Projecto –âncora vertida no Formulário do Concurso de 2006. À CMM compete apenas, na actual conjuntura, a dimensão correspondente à supracitada experiência piloto fundamentada na produção dos conteúdos que correspondam aos desideratos identificados na sequência das recomendações registadas no presente Debate.

Apesar disso, o modelo é compatível com uma formação em exercício da mediação autárquica com recurso ao apoio soft da equipa de investigação intermediada por uma consultoria semipresencial do Gabinete de mediadores adequada à conexão dos objectivos de promoção do empowerment com a produção de conteúdos de base local que a estimulem. O trabalho do terreno a partir do local deverá desde já constituir o lastro do levantamento de outros âmbitos de exploração pertinente com os objectivos do Projecto, com registo subsequente no site, como é o caso da relação da Arte com a Cidadania.


Notas ao texto

Sinopse do argumentário desenvolvido no E-book Cidadania & Sociedade do Conhecimento Por um Novo Contrato Social ( Estado da Arte do Projecto C&SC), integrado no presente site ( http://cidadania-social.fc.ul.pt ) no link Observatório do Cidadão_Recursos Cognitivos, sendo os Livros I e II, assinados por Maria Alfreda Cruz ( Livro I) e por Tereza Ventura ( Livro II). O texto das Partes I e II remete para a Bibliografia inserta nos correspondentes Livros do E-book .

Elisabete Oliveira (Ph D-FPCEUL; Pintora; Conselheira Mundial InSEA/UNESCO, ’88-’97) integrou a equipa que apresntou o Projecto-âncora à FCT em 2006.

João Lopes Alves ( membro integrado no CFCUL e membro da Sociedade Poruguesa de Filosofia) mantém desde 2006 a articulação à equipa na prespectiva da ponderação co Contrato Social inerente às perspectivas de longo prazo do Projecto – Âncora.

Professores Paulo Machado, Luísa Schmidt e João Vasconcelos Costa

Gestão de Projectos em Parceria cuja Comissão Científica foi integrada em 2004 pelo Professor Luis Moita, Vice-reitor da UAL, pelo Prof. Paulo Machado então Coordenador do Núcleo de Estudos Sociais do LNEC por Maria Alfreda Cruz, então promotora do actual projecto, em regime sabático no âmbito do Departamento de Investigação e Desenvolvimento do INA.

Sintomaticamente expresso na parceria constituída pela Câmara Municpal de Montijo com a Fundação da Universidade de Lisboa, para a criação de um Centro de Saberes em Montijo no início do século XXI que, em nosso entender é passível de se aproximar do conceito das Universidades Populares impulsionadas na I República e cujo lançamento em Setúbal se ficou a dever à iniciativa de Bento de Jesus Caraça, no âmbito da sua actividade em prol da articulação entre Ciência e Cidadania como substrato da Cultura Integral do indivíduo, conceito que retomaremos em Glossário

Anexo 5 dos constantes do E-book _Livro III acessível através dos Recursos Cognitivos

Todas as referências bibliográficas invocadas neste capítulo remetem para a Bibliografia inserta no E-book _Livro II, acessível do mesmo modo.


ANTÓNIO GUERREIRO, “O Social”, Programa da Crítica do Quotidiano. Conferências Internacionais. A Política/ A Ecologia/ O Social, Mar-Nov 2008, Porto, Fundação Serralves.

demonstra que a actividade autárquica está confrontada com a desmotivação dos munícipes e que passar desse estádio incipiente da cidadania para o da plenitude a que o Projecto se propõe, implica a necessidade do recurso da intervenção autárquica a consultorias especializadas que apoiem as práticas de envolvimento dos munícipes na apropriação dos conteúdos que lhes são propostos, bem como a relação destes com as práticas educacionais aos níveis adequados. No âmbito do Projecto-âncora do OC (Projecto C&SC) as consultorias previstas reportam-se às áreas temáticas das Políticas de Investigação e do Ensino Superior, em que se baseia a lógica da I&D, as Políticas Sociais em que se baseia a filosofia inclusiva do Projecto e as do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável em que se baseia a dimensão da sustentabilidade destes vectores das praxis assumidas na transversalidade do bairro à megalópolis. Os 3 consultores que, em 2006, corresponderam ao convite da Equipa foram respectivamente os Professores João Vasconcelos Costa, Paulo Machado e Luisa Smidth. que, ao tempo da apresentação do Formulário à FCT, se apresentavam institucionalmente ligados à Universidade Lusófona, no primeiro caso, à UAL e a o LNEC, no segundo, e ao ICSda Universidade de Lisboa, no terceiro. Assume-se que o conhecimento tácito individual é amplificado ao longo dos quatro modos de conversão do conhecimento (individual – grupal – organizacional – social) até ser cristalizado nos níveis ontológicos mais elevados (organizacional ou inter-organizacional) e que os movimentos entre as modalidades da conversão do conhecimento “são caracterizados por quatro processos: diálogo, networking, aprender-fazendo e construção de um campo ou de um clima (field building).