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Painel

Observatórios

Argumentário do Projecto CS&SC

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Written by Alfreda Cruz   
Article Index
Sinopse da Sessão Presencial de Lançamento do Observatório do Cidadão
0.Apresentação dos Membros da Equipa Presentes no Painel
1. Historial genético do Projecto e Função que nele assume o Protótipo do Observatório do Cidadão
2. Da Sociedade da Informação à do Conhecimento
3. Teses Específicas
4. Linhas Gerais do Debate
Notas ao texto
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PARTE III

Teses Específicas

I O Papel da Cidadania enquanto dimensão civilizacional
da Sociedade do Conhecimento
(Maria Alfreda Cruz)

O trabalho apresentado na Sessão traduz os resultados de uma investigação em curso no “território” Web que conduzirá a avaliarmos a pertinência do conceito de capital social e de todos os que lhe estão consociados, em face da sua operacionalidade na Sociedade do Conhecimento, tendo em atenção que esta é simultaneamente a sociedade do risco e a da liberdade de gerar e de gerir projectos de vida e de autodesenvolvimento .

A tese de que se parte é que a forma de lidar com o risco não se compadece com a dominância de uma perspectiva securitária, devendo antes passar pelo fortalecimento das dinâmicas de capital social em sede de produção de um empowerment que denuncie a perversidade inerente às múltiplas formas de exclusão social que subjazem às formas de violência mais correntes na Sociedade dos nossos dias A cidadania, enquanto dimensão civilizacional do fortalecimento da autonomia individual e comunitária, tem por horizonte o bem comum e a rejeição da arrogância ou da indiferença pelo próximo, as quais investem no agravamento de vulnerabilidades sociais, como sejam, por exemplo, as múltiplas nuances do racismo e do sexismo.

Contra o expansionismo das mensagens que globalizam tais posturas, nomeadamente na Web, só a defesa de um capital social consistentemente ancorado numa cidadania activa, responsável e comprometida em todos os campos em que se produza, pode garantir coerência ao investimento da responsabilidade social no exercício da cibercidadania, a partir do exercício quotidiano da mesma responsabilidade cívica na participação cidadã em todos domínios da res publica.

É neste duplo âmbito de responsabilidade social e de prevenção do risco inerente ao trânsito dos conteúdos e da livre opinião pelo território web que o Observatório assume a indispensabilidade de incluir um Código Ético que vincule todos os seus usuários às regras de jogo da relação entre pares e entre os diversos actores sociais e institucionais em jogo

II A Relevância do Sítio Local de Cidadania na Responsabilidade Social
(Gonçalo Becerra)

Como é a democracia portuguesa em termos de qualidade? Em termos de participação dos cidadãos? Estas eram as questões formuladas num diário de grande tiragem pouco tempo antes da apresentação do Observatório e a resposta era dada pelo próprio Diário: “…desde um ponto de vista da democracia formal, Portugal fica acima de países como a Espanha, a Grécia ou a Itália”.

Então o que puxa a democracia portuguesa para baixo? Outros critérios. Por exemplo: a participação. Aqui a posição portuguesa desce bastantes lugares. Ou seja, as instituições políticas formais estão pouco rodeadas de associações cívicas que eficazmente as escrutinem. Precisamente para colmatar essa falta de participação, surge o Observatório do Cidadão como centro dinamizador e difusor de actividades sociais e virtuais que assentam em valores comunitários.

Pretende-se que a utilização do Observatório seja incentivada de modo a que todos os cidadãos interessados, incluindo os infoexcluídos possam tornar-se mais participativos, mesmo que por arrastamento, através da colaboração dos mais jovens: Por exemplo pode ser um bom começo um neto que acompanhe o avô na interacção com a Internet ou vice versa.

A haver receptividade, o Observatório fará a articulação entre a Sociedade do Conhecimento na função de mediador de aprendizagens em ambientes virtuais, com a Sociedade de Aprendentes, recorrendo à estimulação constante por via e-learn e presencial do Desenvolvimento Integral, a partir do Cidadão. Assim, e utilizando como ferramenta, ou facilitador de participação, as novas tecnologias, temos a convicção que o cidadão terá menos relutância em participar na resolução dos assuntos que lhe dizem respeito, aprendendo designadamente a reclamar os seus direitos no contexto da responsabilidade social que lhe cabe como cidadão.


III O Território como Expressão de Cidadania
(Ângela Dionísio)

O Conceito de Cidadania é indissociável do conceito de Território e, como tal, este projecto não poderia de modo algum negligenciar a linha de investigação ligada às temáticas do Urbanismo, do Ordenamento do Território, do Planeamento e da Gestão Urbana e do Ambiente. Concomitantemente, será dado particular destaque às questões do imobiliário não só porque consubstancia uma das actividades económicas que mais contribui para a transformação e desenvolvimento do Território como também pela oportunidade desta temática na sequência da decisão de localização do NAL (Novo Aeroporto de Lisboa).

Esta linha de investigação cruza com o objectivos gerais de:
°Promoção da cidadania activa designadamente nesta área do planeamento e gestão urbana.
°Valorização da participação dos indivíduos no âmbito das redes sociais: valorização do capital social contribuindo para a coesão social;
°Reforço do empowerment das comunidades locais em concreto nesta área da gestão e planeamento urbano. Significa “conhecer”, “participar” e até “influenciar nas tomadas de decisão sobre o uso e transformação do Território.

Neste sentido, a estratégia operacional da equipa de investigação passa pela coordenação do Gabinete Virtual c3s suportado num Gabinete Local autárquico instalado no local do Esteval, responsável nomeadamente pela recolha e tratamento de informação, produção de bases de dados, e pelo interface com as comunidades e redes sociais locais. Para este efeito, o Projecto conta com uma equipa de técnicos nomeados pela CMM – Grupo alvo 0 – e com o envolvimento de consultor(es) da equipa de investigação especializado nas estratégias metodológicas da investigação-acção . Este gabinete terá uma Coordenação local que orientará no terreno a equipa técnica assegurando a execução de um plano de trabalhos de acordo com a uma metodologia previamente definida com a equipa de investigação, no sentido de lhe disponibilizar a orientação metodológica que for entendida por necessária.


IV A Construção do Olhar do Cidadão
(Tereza Ventura)

Numa sociedade em mutação profunda, com crescente mobilidade dos recursos humanos, fortemente carente de adaptabilidade e inovação e potencialmente geradora (e gestora) de conflitos de grande violência e vasto impacto e de fenómenos extremos de exclusão social, o grande desafio é a capacitação dos activos para aprender e ensinar a aprender, diversificar percursos e actividades, ganhar e maturar a autonomia (científica, técnica, profissional, cívica, política…), valorizar a investigação e a inovação, reforçar as relações de pertença, de co-responsabilidade, de cooperação e solidariedade e os sentimentos de auto-estima colectiva.


Se uma “ecologia da informação” designa um sistema de pessoas, práticas, valores e tecnologias imersos num ambiente particular, comportando um sentido da localidade.” (Nardi e O’ Day (1999). As diferentes partes de uma ecologia evoluem de acordo com as relações do sistema, à medida que novas ideias, instrumentos, actividades e formas de experimentação surgem no seu âmbito, porque os. Aspectos sociais e técnicos de um ambiente se desenvolvem em conjunto. Os mediadores que estabelecem a relação entre o Projecto e os Cidadãos são componentes essenciais das ecologia de informação inerente ao Sítio local de Cidadania


Mediar o desenvolvimento, em larga escala, das organizações em rede, a investigação e inovação em parceria – multi e transdisciplinar – a formação just in time para grupos de grande dimensão, a coordenação de políticas a nível transnacional e tantos outros fenómenos económico-sociais da nossa época são desideratos que vieram recolocar em foco a necessidade e a metodologia do trabalho colaborativo. A nossa tese é a de que um Sítio Local de Cidadania pode pôr de pé a estratégia que permita inovar no caminho da formação ao longo da vida e das várias competências que fazem de um indivíduo um cidadão activo, capaz de observar a realidade com um olhar cognitivamente construído e de observar o seu próprio olhar, questionando-se e afinando o seu modo de ver.